TESTE – Honda CRF 250F 2019

É evidente que a 250F é uma evolução da sua irmã menor, utilizando a experiência das motocicletas de competição. O projeto inédito focou em melhorias possíveis, a começar pelo design esportivo e agressivo, alinhado ao dos modelos CRF-R de competição. Foi mantido o desenho estreito, visando melhor movimentação do piloto e tornando a condução mais ágil. Outro destaque é a distância de 883 mm do banco para o solo, assim como o posicionamento do guidão, com regulagens de duas posições diferentes, e das pedaleiras, contribuindo para que a motocicleta possa ser pilotada por qualquer nível de piloto, inclusive iniciantes. O modelo apresenta novo farol, que se integra às linhas do para-lamas dianteiro.

Para empurrar essa motocicleta, a Honda utiliza um motor derivado do modelo Twister, 20% mais potente e com mais torque do que o da 230F. O propulsor de 249,58 cc é monocilíndrico, com 4 válvulas, SOHC, refrigeração a ar e injeção eletrônica (PGM-FI), diferente do modelo de menor cilindrada, que utiliza carburador. Ele gera 22,2 cavalos a 7.500 rpm (contra 19,3 cv a 8.000 rpm da 230F) e 2,28 kgfm a 6.000 rpm. A partida é elétrica e o câmbio tem cinco velocidades.

Outro diferencial é o novo chassi, de berço semiduplo, construído com tubos de aço, e desenho inspirado na linha CRF-R de competição, que segundo a fábrica melhorou a centralização de massas, já que o tanque de combustível está posicionado entre as travas descendentes superiores do chassi, além de oferecer maior maneabilidade. O sistema de suspensões é formado por garfo na posição convencional, com bengalas de 41 mm de diâmetro (37 mm na 230F) e 240 mm de curso, utilizando componentes internos reforçados, amortecedor traseiro funcionando com sistema Pro-Link e braço oscilante em alumínio.

Novidades também na frenagem, se comparada com a 230F: disco dianteiro estilo “wave” de 240 mm de diâmetro, com pinça de dois pistões, e também disco traseiro, de 220 mm de diâmetro, e pinça com único pistão, lembrando que o freio é a tambor no modelo de menor cilindrada. Para a tração nós encontramos pneus da Pirelli próprios para a prática do off-road. O modelo Scorpion XC oferece mais capacidade de aderência, graças ao desenho da banda de rodagem, com blocos mais concentrados favorecendo tração, maior aderência nas curvas e menores espaços nas frenagens.

Destaque também para luz de advertência da injeção e combustível reserva, tanque de combustível em metal com capa superior em plástico e tampa com trava, capa de banco com “grip”, protetor de motor e guia da corrente com “refil”.

Enfim, meus amigos, essas são as características principais dessa novidade da gigante japonesa. E logo na semana seguinte ao lançamento mundial, a Honda nos emprestou novamente o modelo para um teste mais completo pela nossa equipe de pilotos de teste.

Diante desses atributos, imaginamos que a sua condução seria eficiente e divertida, o que foi comprovado em todos os momentos em que aceleramos a novidade. Ao sentar na CRF 250F, você percebe que o projeto ficou bem definido, estreita e com um posicionamento perfeito para o off-road. Todos os controles estão ao alcance dos dedos e a movimentação na motocicleta é fácil. A moto é leve e ágil em todas as condições, mesmo em traçados estreitos. Sendo muito eficiente e de fácil pilotagem, tudo se torna muito divertido. Rapidamente você vai se sentir muito à vontade, já nas primeiras voltas terá muita intimidade com o equipamento.

O motor apresenta muito torque, facilitando superar os trechos mais pesados e subidas com obstáculos. Ele responde rapidamente e com vigor, não se intimidando nos trechos com muita lama e encarando os obstáculos mais difíceis com facilidade. A entrega de potência é suave e progressiva, com retomadas rápidas e precisas oferecendo uma dirigibilidade superior e sem exigir muitas mudanças de marcha. Seu comportamento possibilita que pilotos menos experientes possam conduzir tranquilamente a nova CRF 250F, assim como atrair quem deseja começar no esporte, assim como a 230F. E claro, a partida elétrica sempre é bem-vinda, principalmente nas quedas em que o motor apaga.

Apesar da posição convencional, o funcionamento do garfo é eficiente e apresenta níveis mínimos de torção. Copiou bem os obstáculos e ofereceu uma pilotagem mais controlável e segura. Em saltos, ela se mostrou valente, com amortecimento eficiente. A traseira também apresentou bom funcionamento, mantendo a roda no chão e oferecendo boa tração.

O sistema de freios foi outro ponto positivo do modelo, com potência ideal em todas as situações. Devemos destacar o grande trabalho dos pneus Pirelli (de 21 polegadas na dianteira e 18 na traseira). Oferecendo muita tração, eles permitiram uma pilotagem mais agressiva para os mais experientes, e isso em qualquer piso, de chão batido, areia ou lama.

Além da qualidade, outro fator importante para o sucesso é o preço, certo? E a Honda novamente surpreendeu ao informar que a nova CRF 250F será comercializada por R$ 14.990 (preço público sugerido, sem frete), apenas R$ 1.500 mais cara do que a 230F. O modelo já está em pré-venda nas concessionárias, com entrega prevista para novembro. Mas por que a Honda produziu um modelo cuja diferença de preço para a 230F e tão pouca? Primeiro que, apesar de apresentar apenas 20 cilindradas a mais, o projeto é atual e a diferença do comportamento do motor da 250F é bem superior, resultado que se repete na dirigibilidade, suspensões e freios. Quanto ao preço próximo da 230F, essa tem sido uma estratégia da Honda, basta ver sua oferta da linha 2019 CRF importada, com diferenças abaixo do que o mercado está acostumado a trabalhar.

Resumindo, a Honda apresentou um modelo totalmente novo, com motor, chassi, suspensões e freios mais eficientes. E a um preço justo, possibilitando que os praticantes e novos praticantes do esporte off-road possam adquirir uma motocicleta nova, com alto nível de performance e pronta para a diversão nas trilhas e pistas, sem apertar muito o orçamento. A nova CRF 250F é mais uma opção para aqueles que procuram uma motocicleta moderna, confiável e com grande desempenho. E com certeza ela terá o mesmo sucesso da 230F, que continua sendo oferecida e é a porta de entrada no segmento off-road.

ESPECIFICAÇÕES
Motor: monocilíndrico, OHC, refrigeração a ar
Cilindrada: 249,58 cc
Alimentação: injeção eletrônica PGM-FI
Transmissão: 5 velocidades
Chassi: tipo berço semiduplo, em aço
Suspensão dianteira: convencional, 41 mm de diâmetro, 240 mm de curso
Suspensão traseira: monoamortecedor, 230 mm de curso
Freio dianteiro: disco, 240 mm de diâmetro, pinça c/ 2 pistões
Freio traseiro: disco, 220 mm de diâmetro, pinça c/ pistão único
Potência: 22,2 cv a 7.500 rpm
Torque: 2,28 kgfm a 6.000 rpm
Tanque: 6 L
Peso (seco): 114 kg

Veja o teste completo na revista dirt action desse mes