Mulheres que aceleram e fazem a diferença

A participação das mulheres no motociclismo brasileiro tem crescido a cada ano. Apesar dos números ainda tímidos, nos últimos oito anos, o número de mulheres filiadas à Confederação Brasileira de Motociclismo mais que dobrou, saltando de 80 para aproximadamente 200 filiadas. Se considerar ainda as mulheres que pilotam, porém ainda não possuem o registro na CBM, os números tendem a ser ainda maiores. Para isto, a Confederação Brasileira tem buscado ações e políticas destinadas às mulheres, como apoio a criação da Categoria Feminina dedicada exclusivamente para elas em diversas modalidades.

As primeiras mulheres surgiram no motocross brasileiro na década de 80, época de grande ascendência do esporte. Aos poucos, com a conquista de boas posições em competições e títulos, elas passaram a ganhar destaque no motociclismo brasileiro em geral, esporte até então dominado pelos homens, mostrando que o motociclismo possui modalidades para todos os tipos de mulheres, sejam as velozes, as aventureiras, as fortes, as habilidosas e as que amam viver a emoção de estar sobre duas rodas.

Moara Saciotti foi a primeira mulher a competir de moto o Rally dos Sertões, com 18 anos.

Foi através do motocross que a piloto, Moara Sacilotti teve o primeiro contato com o motociclismo, ainda com sete anos de idade fez suas primeiras competições na modalidade. Filha de pai e irmão pilotos e mãe chefe de equipe, com apenas 18 anos Moara foi a primeira mulher a correr o Rally dos Sertões de moto, tendo ao todo 18 participações no maior Rally do País, que faz parte do calendário do Campeonato Brasileiro da modalidade. Hoje com 39 anos, a piloto coleciona muitas histórias e várias conquistas, como os três títulos do Campeonato Brasileiro de Rally e duas conquistas do Rally RN 1500 – todos conquistados competindo com homens. Além disso, foi vice-campeã Mundial de Rally em 2013, título inédito entre brasileiros. Atualmente se aposentou das competições profissionalmente e dedica-se, além de acompanhar provas off road, ao trabalho na sua oficina de joalheria artesanal.

“Lugar de mulher é…onde ela quiser, inclusive em cima de uma moto, e muitas vezes ganhando dos homens” – Maiara Basso, piloto oficial Rinaldi

 

O motocross também foi para a piloto Maiara Basso a chave de acesso às emoções que o motociclismo oferece, mas foi no Velocross, modalidade onde a velocidade é a principal caraterística, que ela subiu em uma motocicleta para competir. “Gosto de me desafiar, pratico o Velocross, Motocross e Enduro. Hoje temos várias modalidades, rally, motovelocidade, hard enduro, é só descobrir qual é a que mais te diverte e acelerar. Dá pra praticar também mais de uma.” Comentou a gaúcha, que tem na bagagem 8 títulos de Campeã Brasileira, sendo 4 vezes no Motocross, 3 no Velocross, 1 no Enduro, além de se consagrar trezes vezes campeã gaúcha, sendo dois desses títulos em disputa com homens e ser vice-campeã do Latino Americano de Motocross. Para Maiara, piloto oficial da Rinaldi Pneus, lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive em cima de uma moto e muitas vezes ganhando dos homens. Quando o assunto é feminismo ela reforça, ” que é ter direitos iguais aos homens, ser tratada da mesma forma, com os mesmos direitos e deveres. Valorizarem que temos potencial de fazermos qualquer coisa que os homens fazem” – comenta a piloto.

Para a piloto versátil Bárbara Neves que recentemente foi anunciada pela equipe Honda Rancing de Enduro FIM, como a primeira mulher a integrar o time oficial mais tradicional do esporte sobre duas rodas no país, o motociclismo tem apresentando mais oportunidades às mulheres com a criação da Categoria Feminina em diversas modalidades. A goiana que participa de provas de Cross Country, Velocross, Motocross, Enduro FIM, Hard Enduro e Regularidade começou no motociclismo competindo entre os homens. “Quando comecei a andar de moto não existia categoria feminina, aí corria com os homens. Eu lembro que antes de criar a categoria, tinham outras meninas que corriam de moto mas elas não competiam porque não queriam correr com os homens. Agora com a criação da categoria feminina isso é excelente, cresce a categoria e todo mundo evolui” – comentou a piloto que tem na carreira o terceiro lugar no Enduro Internacional de Enduro Feminino conquistado em 2016 em Portugal, título de campeã Brasileira de Enduro Fim em 2017, e é a atual campeã Latino-Americano de Enduro, Campeã Brasileira de Cross Country.

Bárbara Neves primeira mulher da equipe Honda Rancing de Enduro FIM e atual campeã Latino-Americano de Enduro

Entre outros nome do esporte que fizeram história estão Mariana Balbi, Adriana Costa, Patrícia Trivellato, Vrônia Loureiro e sua filha Patrícia, Thais Kreimer, Eilene Melo, Regina Sacilotti, Silvana Lemke, Eliane Santos, Christianne Mouette entre tantas outras que contribuíram e continuam fortalecendo e abrindo caminhos para elas no esporte seja dentro ou fora de pistas e circuitos.

Bárbara Neves que vem conquistando seu espaço, ressalta a todas a mulheres a importância de acreditar. “Nunca desistir dos seus sonhos, lutar por isso. Tudo o que fizermos com amor e dedicação a gente consegue colher bons frutos” – incentivou a atleta.

Incentivo ao motociclismo brasileiro

Como forma de incentivo a CBM, além da criação da Categoria Feminina em diversas modalidades, também oferece desconto especial àquelas que pretendem fazer a primeira filiação para participar de competições homologas pela instituição, conquistar espaço no ranking nacional visando o aprimoramento técnico e patrocínio de grandes marcas. A instituição ainda irá criar uma Comissão Feminina, na qual será composto por cinco membros, sendo todas mulheres que irão desenvolver políticas de incentivo voltada para elas. “Queremos oferecer um ambiente mais confortável e prazerosos para as mulheres dentro do esporte, onde elas possam competir de igual para igual e fortalecer o motociclismo não só no Brasil, mas também no exterior. Com esta Comissão será possível compreender as necessidades delas e buscar alternativas para que esta inclusão seja feita de forma respeitosa e profissional. ” – comentou Firmo Alves, presidente da CBM. Os nomes para formar a Comissão ainda estão sendo definidos. “Vamos convidar atletas que tiverem engajada com a causa e se mostrarem dispostas a desenvolver essas ações, mas nada impede que as demais e até os homens possam colaborar com sugestões para fortalecer a participação delas no esporte. Temos uma gestão de diálogo e estamos abertos as boas ideias e ações.” – completou o presidente.