Portugal de Lés-a-Lés mais costeiro em 2020

Foram muitos quilómetros percorridos  ao longo da costa portuguesa neste 21º Portugal de Lés-a-Lés. Mais de 2100 motociclistas aventureiros aceitaram conhecer Portugal através de um percurso e surpresas delineadas pela Federação de Motociclismo de Portugal. Com o final da aventura em Lagos, muitos participantes já pensam no que a FMP estará a preparar para 2020!

Foram três longas etapas completadas com sucesso pelos mais de 2100 motociclistas que participaram na maior aventura de mototurismo na Europa. Este ano a Federação de Motociclismo de Portugal, e a sua Comissão de Mototurismo, optaram por um Portugal de Lés-a-Lés bastante diferente aos que até agora se tinham realizado. Mas as alterações foram bem aceites pelos participantes, que percorreram muitos quilómetros para ligar Felgueiras a Lagos, respetivamente locais onde começou a terminou o 21º Portugal de Lés-a-Lés.

A FMP está, novamente, de parabéns por ter organizado mais um evento de excelência e que cada vez mais atrai motociclistas provenientes de vários países europeus, mas não só! A fama do Lés-a-Lés está a conquistar o Mundo, e isso é mérito da organização que não poupa esforços, este ano mais uma vez, para oferecer aos milhares de participantes uma experiência memorável.

Este ano a caravana já concluiu a viagem. Mas no palanque em Lagos, onde hoje terminou a viagem, muitos participantes já fizeram saber que estão a pensar no que a FMP estará a preparar para a edição de 2020.

Veja em baixo o “filme” da terceira e última etapa do 21º Portugal de Lés-a-Lés, que ligou Arruda dos Vinhos a Lagos, no Algarve.

Sucesso à beira-mar plantado

Ambiente de enorme festa na chegada a Lagos foi prova evidente do sucesso da 21.ª edição do Portugal de Lés-Lés, o mais próximo de sempre do Oceano Atlântico, em aventura de recordação e homenagem a povo de forte pendor marítimo.

Dos marinheiros que deram novos mundos ao Mundo aos pescadores, dos surfistas bronzeados às peixeiras de pele tisnada pela inclemência do sol e sal,  de todos de falou ao longo das 71 páginas do ‘road-book’ que indicou o caminho de 1225 quilómetros entre Felgueiras e Lagos, com paragens na Figueira da Foz e Arruda dos Vinhos.

Festa gigantesca, com mais de 2100 motociclistas em 1900 motos naquela que reforçou estatuto de maior maratona mototurística da Europa. E, quiçá, do Mundo! Pelo menos a julgar pela crescente adesão internacional a caravana que, em 2019, contou mais de duas centenas de estrangeiros, da vasta comitiva espanhola representando quase 10 por cento do pelotão, até participantes norte-americanos, canadianos, angolanos, ucranianos, alemães, holandeses, moçambicanos, húngaros, suiços, ingleses, franceses, italianos, gregos, croatas e belgas.

Aposta claramente ganha pela Federação de Motociclismo de Portugal que «apesar de saber de antemão as dificuldades acrescidas que a decisão de realizar o Lés-a-Lés em dias da semana iria criar, tanto mais que atravessou zonas densamente povoadas, provou-se que era possível fazê-lo. E com sucesso».

Para António Manuel Francisco, presidente da Comissão de Mototurismo da FMP, «esta foi mesmo a hipótese mais viável de concretizar um desejo antigo de atravessar o País o mais junto possível à costa. Não foi fácil porque implicava atravessar as duas maiores cidades do País e muitas zonas balneares, mas era uma experiência que a FMP queria oferecer aos participantes».

Quatro dias de características bem diferenciadas, da verdura do Minho no Passeio de Abertura e no arranque da primeira etapa, à travessia complicada do Grande Porto no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, ao mais recôndito Algarve passando bem perto de algumas das mais belas praias da Costa Alentejana e Vicentina. E sempre com monumentos históricos e outros pontos de interesse a juntar a paisagens de beleza ímpar.

Sob o signo da água. E do vento!

Na terceira etapa, que haveria de levar a caravana até Lagos, 466 quilómetros de extensão obrigaram a saída madrugadora de Arruda dos Vinhos, com sereno serpentear entre casas para fugir ao trânsito das estradas mais usuais.

E se as primeiras equipas a partir puderam apreciar o espetáculo do sol que começava a subir no horizonte, gozando vista privilegiada sobre a lezíria e o Tejo, já os que passaram mais tarde pelo pórtico de saída foram bafejados com… temperaturas mais agradáveis face à frescura que se fazia sentir às 5.30 h. da manhã.

Depois do verdadeiro carrossel até Vila Franca de Xira, e da rápida ‘fuga’ através da Ponte Marechal Carmona, seguiram-se as menos interessantes retas em redor do delta do Tejo, aproveitando a Nacional 10 para encurtar a viagem. Tempo, ainda assim, para apreciar outras cores com a volta ao estuário através de campos, rumo a Santo Estevão onde nem um original sinal de trânsito, com placa indicando o caminho do Lés-a-Lés montado sobre uma antiga motorizada de origem nacional, impediu o engano de muitos apressados.

Sobretudo daqueles que não sabem desfrutar a grande aventura com serenidade, ou dos que… ainda estavam a dormir. Mas todos acabaram por encontrar o espaço onde o MC Almansor e o rancho folclórico de Benavente montaram espetacular Oásis e onde todos demoraram bem mais do que os 15 minutos previstos e aconselhados no ‘road-book’.

E todos desfrutaram de uma rápida e divertida iniciação à arte do toureio, abrindo o apetite para verdadeiro festival gastronómico onde nem faltou completo cardápio de doçaria caseira, feita pelas senhoras da terra, felizes de acolher a caravana. E que bem se esteve em St. Estevão!

Depois as entediantes retas da N10 e IC1, mal necessário para mais rapidamente chegar à beira-mar, entrecortadas pela magnificência da paisagem apreciada desde o castelo de Alcácer do Sal, rolando ao longo da muralha com paragem junto ao rio para original prova de azeite. Mais retas rumo à Comporta, passando junto ao Parque Natural do Estuário do Sado, com paragem no Cais Palafítico. Onde o divertido controlo montado pelo Moto Clube do Porto assentava em bem apicantados motivos de pesca e do berbigão. Ou não estivéssemos em terra de pescadores.

Mais vias rápidas até Sines porque Porto Covo e a Ilha do Pessegueiro estavam à espera, mas não sem antes visitar o Castelo acedendo a simpático convite da autarquia. Que até disponibilizou o espaço interior da fortaleza para aparcar as motos! Já em Porto Covo, obrigatório molhar os pés para merecer o furo na tarjeta que garantia a passagem no posto do Moto Clube do Coimbra. Praia das Furnas ou o Cabo Sardão foram os pontos seguintes no mapa desta travessia costeira, antes da paragem na Zambujeira do Mar.

A mais famosa terra dos festivais de verão tornou-se no palco mais desejado da hora de almoço graças à feliz associação entre a Longitude 009 e o chef Chakall, com propostas gourmet, de requintada cozinha, no Oasis  Touratech. Que, diga-se, muitos comentários de regozijo motivaram numa altura em que se cumpriam os últimos quilómetros no Alentejo.

Entrada no Algarve com visita ‘obrigatória’ a Odeceixe onde a temperatura já mais elevada, convidava a um mergulho, até porque as ondas de mar muito ‘flat’ apesar do vento intenso que teimava em não largar a caravana, impedia as mais radicais manobras surfistas. E num final com intenso sabor a Lés-a-Lés, de estradinhas desertas, estreitas e cheias de curvinhas, rodeadas da vegetação rasteira que consegue sobreviver ao vento agreste que as fustiga, tempo até para algumas passagens em terra e areia.