Jorge Prado: “Eu dou tudo de mim e às vezes até um pouco demais”

Este foi um ano de domínio para o piloto espanhol e, visto de fora, tudo parece fácil. No entanto, Prado explica, numa entrevista à Racer X que, nem tudo o que parece é, e que, muitas vezes, não é fácil perceber que se está a fazer um bom trabalho. “É difícil manter-me concentrado sempre que entro numa pista, porque um pequeno erro pode fazer com que perca tudo. Também é difícil andar em duas rodas durante um campeonato inteiro. Às vezes, quando volto para casa ou volto de uma corrida, paro para dizer a mim mesmo que estou a fazer um trabalho incrível esta temporada. Talvez do lado de fora possa parecer um pouco fácil.”

Prado acrescentou ainda que o facto de rapidamente conseguir ganhar uma grande vantagem em relação ao segundo lugar significa que está a melhorar. “Às vezes não me esforço muito porque quero minimizar os riscos, mas quero conduzir o melhor que poder todas as semanas. Se eu poder correr suavemente, é melhor, porque penso sempre no futuro e sei que a categoria MXGP vai ser difícil. Sou muito organizado em tudo o que faço. Penso sempre que os outros trabalham e treinam mais. Eu dou tudo de mim… e às vezes um pouco demais, e o tempo de recuperação para o fim-de-semana pode ser muito curto. Se eu me esforçar muito durante a semana, pode haver consequências no fim-de- semana, o que já aconteceu antes.”

O piloto espanhol da KTM reconhece que está diferente e cada vez mais preparado para o MXGP. A sua forma de pilotar foi-se alterando mos últimos tempos, assim como a sua forma de pensar e fazer as coisas. “Antes de eu era mais selvagem. Fazia várias coisas só para o estilo mas agora que cresci vejo as coisas de forma diferente. O ano passado foi a primeira época em que me acalmei. Se eu quiser, ainda posso fazer as coisas que fazia antes mas seria muito estúpido perder uma corrida por causa disso. Ganhar corridas é muito mais importante neste momento.”

Depois dos dois títulos mundiais conquistados, Jorge Prado prepara-se para subir de nível e juntar-se a outros grandes nomes do desporto mundial como Antonio Cairoli, Tim Gajser e Jeffrey Herlings. A sua relação com Cairoli tem sido muito importante para melhorar enquanto piloto e irá juntar-se a ele já na próxima época. “Não vejo que possa ser um problema ou que possamos deixar de ser amigos. Temos uma boa relação e só nos ajudamos um ao outro a melhorar. Ele também sente isso. Este ano, o Tony foi muito rápido, mais rápido que no ano passado. Também fui melhor do que na época passada. É bom que treinemos juntos a parte física e de moto. Penso que é pela motivação que ele me da que estou aqui e, para mim, tenho a melhor referência possível.”

Dito isto, Jorge Prado terá agora de se adaptar à sua 450 para estar pronto para lutar com os melhores. “Vou treinar muito na 450. Farei o máximo de horas que puder até me sentir bem para a próxima temporada. Preciso de confiar nesta moto.” Por isso mesmo, para o espanhol, ganhar no próximo ano não é, de todo, o objectivo principal. Porém, segundo Prado, a pressão estará sempre presente pois fará parte da melhor equipa.”Há sempre pressão. Toda a gente, incluindo a KTM, quer que ganhe. Eles querem a vitória, por isso, enquanto for um de nós, está tudo bem, e eu farei o meu melhor para que seja eu. Vou tentar melhorar e tentar fazer uma boa temporada. Não sei como me vou sentir em 2020 até me habituar à moto e enfrentar os outros pilotos do MXGP.”

O próximo ano será, sem dúvida, um ano de aprendizagem para o jovem piloto que quer continuar a aprender e a divertir-se em cima da moto. “A equipa sempre foi fantástica comigo. Estou com eles há quatro anos e estou muito feliz com isso. Só preciso de pilotar e divertir-me ao máximo.”