ILHA DE MAN, A ERA DE HISLOP, 1993-1995

Depois de anunciar que se iria retirar da competição no TT no final do evento de 1992, Steve Hislop juntou-se novamente à Honda Britain para a temporada de 1993, mas com o foco no Campeonato Britânico de Superbike. Ele manteve a sua palavra de não participar do TT daquele ano, onde Joey Dunlop, Phillip McCallen e Nick Jefferies eram os pilotos escolhidos da Honda.

No entanto, com o lançamento da nova especial de homologação da Honda em 1994 – a RVF750R ‘RC45’ – Hislop foi atraído de volta à Ilha de Man, fazendo um retorno sensacional ao Mountain Course, onde disputaria as corridas de Fórmula 1 e Senior nas novas Honda RC45, que tinham substituído as RC30, que conquistaram tudo, ao lado de Dunlop e McCallen.

A Honda estava interessada em promover a RC45 como uma máquina nova em edição limitada, dominadora de super-motos, equipada com injeção eletrónica, bielas de titânio, componentes de motor de magnésio, uma caixa de relações curtas e tecnologia derivada da exótica Honda RVF com que Hislop fez a donradinha no TT em 1991. Mas o modelo era caro, desconfortável e inguiável em estrada por causa de uma primeira tão alta que exigia patinar constante da embraiagem, e logo não foi um sucesso imediato como a RC30, inicialmente lutando no Campeonato Mundial e no Campeonato Britânico de Superbike, com resultados ambíguos.

O melhor resultado de Hislop nas primeiras provas do Campeonato Britânico de Superbike foi um segundo em Snetterton, terminando em décimo no campeonato com apenas mais um pódio e, embora Robert Dunlop tenha dado à RC45 a sua primeira vitória internacional no North West 200, certamente não era à partida uma vencedora automática na Ilha de Man.

De facto, Hislop considerou a RC45 consideravelmente pior do que a RC30 e RVF que ele tinha pilotado em torno da Ilha e, apesar de ter ultrapassado 0,8s do recorde total durante a semana de treinos com uma volta de 123,53 mph, teve uma série de sustos, principalmente no início dos treinos, quando roçou num passeio a 240 Km/h no topo de Bray Hill e bateu com uma perna numa parede em Ginger Hall. Com a moto a demonstrar um comportamento muito próprio, Hislop pensou seriamente em se retirar da corrida, já que McCallen e Dunlop também expressaram o seu desânimo com a moto, muito aquém das máquinas anteriores. As expectativas da Honda eram altas e Steve esperava vencer – algo que ele não podia deixar de fazer.

Lenta mas seguramente, ele conseguiu melhorar o desempenho, mas a semana da corrida teve um início dramático quando se deparou com a proposta de andar em pista molhada com pneus slick na corrida de Fórmula 1. Os pilotos partiram no sábado à tarde em estradas secas, mas a chuva estava a vir do oeste da ilha e, quando chegaram a Ballacraine, as estradas estavam completamente molhadas e, mais, ao redor da volta, a visibilidade na montanha era fraca.

A maioria dos pilotos parou no final da primeira volta, incluindo Hislop, que percorreu a pista nas condições precárias a apenas 130 km/h, mas alguns que começaram com pneus de rasto passaram sem problemas No entanto, a corrida foi finalmente interrompida no final da segunda volta e remarcada para as 14h de domingo.

Domingo amanheceu com um clima mais agradável e, na corrida remarcada, Hislop liderava ao final da primeira volta com uma volta de 193 Km/, à frenge de McCallen por 21,8 segundos, com Robert Dunlop em terceiro lugar. Hislop aumentou a sua liderança para 23 segundos no final da segunda volta, aumentando o ritmo para 194 Km/h, que provou ser a volta mais rápida da corrida.

Não houve mudanças a meia distância e a vantagem de Hislop foi de 26,4 segundos, mas o drama ocorreu na quarta volta, quando Robert Dunlop caiu violentamente à saída de Ballaugh Bridge – a roda traseira de magnésio Dymag colapsou e deixou Dunlop com ferimentos graves nos braços e pernas.

Após mais uma volta de 195 Km/h, Hislop aumentou a liderança sobre McCallen para 36,2 segundos e, com uma volta final de 194  Km/ h, conquistou a sua décima vitória no TT por 24,6 segundos. Apesar das suas dúvidas no início da quinzena do TT, também foi um hat trick da Honda RC45 Castrol quando McCallen e Joey Dunlop terminaram o pódio em segundo e terceiro, respectivamente.

O Senior TT no final da semana seguiu um padrão semelhante. Hislop completou mais uma dobradinha quando conquistou a vitória na Honda RC45 sobre McCallen e Dunlop mais uma vez. Como nos anos anteriores, Hislop foi rápido desde o início e uma volta de 197 Km/h – a volta mais rápida da semana de corrida – deu-lhe uma vantagem de quase vinte segundos sobre McCallen no final da primeira volta.

Hislop comandou a corrida a partir daí, terminando com uma margem de vitória de 1 minuto e 15 segundos sobre McCallen e Dunlop mais uma vez. Foi a sua décima primeira e última vitória no TT, o seu 19º pódio e um final adequado para uma carreira no Mountain Course de um dos maiores pilotos de todos os tempos.

Joey Dunlop não tinha recuperado completamente das lesões de alguns anos antes, deixando McCallen – um piloto que Hislop admirava muito – para assumir o manto como força dominante nas classes de Fórmula 1 e Senior nos anos seguintes.

Pilotando para a Honda Britain, o Irlandês, hoje concessionário Honda, venceu cinco corridas na RC45 entre 1995 e 1997 e igualou a contagem de Hislop de 11 vitórias no TT e 19 pódios, com suas quatro vitórias numa semana no TT ’96, uma façanha incrível que só foi melhorada pelas impressionantes 5 de Ian Hutchinson em 2010.