Entrevista com Rigor Rico o grande nome do Hard Enduro do BRASIL

Há dois anos surgia o campeonato nacional na modalidade, desde então, foi ele o campeão da categoria principal.

Rigor Rico, mineiro de 28 anos, 14 deles dedicados ao motociclismo. A paixão pelas duas rodas foi herança do pai, também sendo compartilhada pelos irmãos. Das trilhas, foi para o Enduro FIM e depois para o Hard Enduro. O esporte é novo no Brasil, há apenas dois anos surgia o campeonato nacional na modalidade, desde então, foi ele o campeão da categoria principal, a Gold. Conversamos com o piloto do Team Rinaldi, vale a pena conferir o resultado da entrevista abaixo!

O Campeonato Brasileiro de Hard Enduro tem apenas um campeão em toda a sua história. Como você se sente mantendo o título por dois anos seguidos?
Muito feliz! Entrei para a história sendo o primeiro campeão Brasileiro de Hard Enduro e conseguir o título novamente esse ano foi ótimo, todos os treinos e dedicação valeram a pena.

A última etapa do ano contou com a participação especial do inglês Paul Bolton, top 10 no ranking internacional. Você chegou a andar na frente, com um ritmo constante. Isso prova que você tem potencial para mais…
Sim, treinei ainda mais para essa etapa e, mesmo ficando atrás do Paul, voltei para casa satisfeito. Andamos juntos praticamente a prova toda, no domingo, por exemplo, cheguei a andar na frente. Foi nítida a evolução que tive em um ano, isso me faz querer dar um passo a frente e fazer algumas provas internacionais. Já estou confirmado no Red Bull Romaniacs 2019, que acontece entre 30 de julho e 3 de agosto, na Romênia, mas quero ainda mais.

Quais foram suas maiores dificuldades nesta temporada?
Minha maior dificuldade foi uma lesão no pé. Tive uma fratura no Talus direito, o que me tirou da rotina de treinos por um bom tempo. Demorei a voltar ao ritmo que estava antes, agora já estou bem melhor, mas a confiança ainda não está 100%. Quero entrar em 2019 muito bem preparado fisicamente.

Você já era um piloto de destaque no Enduro FIM, com títulos brasileiros e resultados expressivos no exterior. Como surgiu a ideia de migrar para o Hard?
A minha cidade, Barão de Cocais (MG), sempre foi famosa por ter muita trilha difícil. Comecei a andar de moto nesse tipo de terreno, com trilhas travadas, pedras, etc. Fui me acostumando e desenvolvi certa facilidade. Então, logo que apareceram as provas, eu e o meu irmão Ripi dominávamos o primeiro lugar. Sempre tive esse sonho e muita vontade de correr, via vídeos e acompanhava as provas internacionais, mas aqui no Brasil a modalidade ainda não tinha chegado. Em 2016, anunciaram então o Red Bull Minas Riders. Eu nem pensei duas vezes, fui acelerar. No final das contas, andei super bem e sai como campeão do evento. Essa prova mudou minha vida e cabeça, vi que aquilo era meu lugar.

Seu irmão mais velho, Ripi, é seu parceiro desde o início da carreira. Vocês sempre dividiram o pódio. Como é essa relação?
Ripi é um cara diferenciado, é o meu maior incentivador no esporte, está sempre me cobrando, puxando a orelha, seja nas corridas ou até mesmo nas empresas. Ter ele do lado me dá uma tranquilidade a mais, pois ele resolve todos os problemas nas motos e sempre que eu preciso está a disposição. E também é um adversário duro, não treina na mesma quantidade que eu, mas esta sempre por perto me dando “trabalho”.

Conte como é sua rotina de treinos, desde a parte física até com moto.
Faço a programação da semana já no domingo, que dia e horário irei treinar com moto, academia e bike. O ideal seria treinar três vezes de moto na semana, mas nem sempre é possível. Tento variar os treinos, buscando o que posso encontrar nas corridas para as quais estou me preparando. Gosto muito de andar de bike, tento fazer esse treino duas vezes na semana.

Como concilia a vida de atleta com o trabalho e lazer?
Me formei em Administração e atualmente estou cursando inglês, sendo que em breve devo fazer uma pós-graduação. Sou sócio com meus irmãos em duas empresas. Dedico mais tempo na 3R Motos e Bikes, que é uma loja e oficina bem completa para quem curte as duas rodas. Vendemos motos e bikes, linha completa de peças, acessórios e equipamentos para ambas as modalidades. É bem difícil conciliar a vida de atleta com a de empresário, mas tenho muita ajuda dos meus irmãos, mãe, sem contar que meus colaboradores são excepcionais, então, fico um pouco mais tranquilo. Sobre lazer, está difícil ter horas vagas (risos), mas gosto muito de ficar em casa mesmo, ficar com minha namorada, amigos e, é lógico, fazer uma trilhinha bem complicada.

Fale um pouco sobre o desempenho dos pneus Rinaldi que você utiliza. Qual modelo é bom para cada situação?
A Rinaldi é uma peça chave no sucesso da minha carreia. Já completamos sete anos juntos, acelerando pelo Brasil a fora. Ter o suporte dessa marca incrível é, sem dúvida, uma vantagem para mim. Tenho uma linha enorme de pneus para escolher qual é melhor para cada prova. Ainda contamos com a linha especifica de Hard Enduro, que me ajudou muito nas vitórias ao longo do ano. Provas de Hard com terreno seco, duro e pedras, sempre uso o SR Hard 110/100-18 na traseira. Já em terrenos molhados vou de HE 40 140/80-18. Na frente sempre uso o HE 40 90/90-21.

O Hard Enduro é uma modalidade muito nova no Brasil. Quais dicas você daria aos iniciantes?
Primeiro, escolher a categoria certa. Muita gente tem medo do Hard, mas existe categoria ideal para todo mundo, desde os pilotos técnicos, até quem nunca correu uma prova. O atleta tem que gostar de trilhas travadas e ter um pouco de técnica. Acho que o mais importante no Hard não é sair com a vitória ou um troféu, mas sim completar a prova, então, a dica que dou é ir com calma, no seu ritmo, ajude e seja ajudado, enfim, dê o seu melhor para cruzar a linha de chegada.

A próxima temporada está logo aí, já traçou seus objetivos?
Sim, já estou ansioso para que comece. Vou defender meus títulos nos campeonatos Brasileiro e Mineiro de Hard Enduro, participar do Red Bull Romaniacs e mais duas provas internacionais. Ainda não defini qual moto vou utilizar, mas em breve teremos novidades. Gostaria de aproveitar e agradecer quem torceu e me ajudou nas conquistas de 2018, todos os patrocinadores, em especial a Rinaldi.