Das pistas para as trilhas, conheça um pouco sobre a Yamaha YZ250X.

Muito foi falado aqui no Brasil sobre a YamahaYZ250FX, que seria a resposta da Yamaha à KTM XC 250F que são popularmente conhecidas como motos de cross-country, uma vez que a Yamaha WR e as KTMs EXC e XCW seriam as endureiras “puras”.

Mas a família “cross-country” da Yamaha não se resume apenas a 250FX, muitos desconhecem, mas, também estão disponíveis a YZ450FX e a YZ250X, sendo esta com motor 2 tempos, que são produzidas em série desde 2015.

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Os amantes dos motores 2 tempos certamente se lembram das WR’s 2 tempos fabricadas até 1999. A família YZ de dois tempos nunca teve sua produção interrompida e muitos “teimosos” persistiram em usá-las em trilhas. Mas, enfim, a Yamaha disponibilizou uma trilheira dois tempos “de série”.

A seguir trago para vocês, uma compilação de uma análise feita pela MX Action (conceituada publicação norte americana – http://motocrossactionmag.com/ ) sobre as principais diferenças da YZ250X em relação a sua irmã YZ250. Pois, embora a plataforma seja a mesma, foram implementadas modificações significativas para deixar a moto mais amigável ao uso em trilhas.

 

(1) Cilindro e Cabeçote: O volume do cabeçote foi aumentado em 2.1cc, era 21.5cc e ficou 23.6cc. Este volume adicionado reduziu a taxa de compressão de 8.9:1 para 7.9:1. A janela de exaustão foi elevada em 0.5mm, e a válvula de escape foi adequada para coincidir com a nova altura da janela de exaustão.

* cc = centímetro cúbico que é igual a mililitro

Esta adequação na taxa de compressão é exatamente para deixar a entrega de potência mais utilizável em trilhas, favorecendo as baixas e médias rotações. Anteriormente, às adaptações da YZ250 utilizavam troca do fly wheel (massa do magneto) por um mais pesado para obter este efeito. Na YZ250X, o fly wheel é o mesmo da YZ250. Isto também significa que a parte de cima do motor não é intercambiável entre as irmãs.

(2) Cano. O cano de descarga da YZ250X é totalmente novo, mas não completamente diferente. Essencialmente, é projetado para ficar mais próximo do quadro afim de oferecer melhor proteção contra choques em galhos e pedras. O cano é 35mm mais fino que o da YZ250.

(3) CDI. O ajuste de CDI (ponto de ignição) foi atrasado na faixa de giro de media-para-alta afim de deixar mais progressiva e dócil essa transição.

(4) Transmissão. Ambas primeira e segunda marchas tem as mesmas engrenagens da YZ250, mas a terceira marcha é mais próxima da segunda. Já a quarta é ainda mais distante (longa) e a quinta é dita como de outra dimensão. As YZ250 e YZ250X têm a mesma relação secundária (coroa-pinhão) de 14/50. Esta mudança da terceira marcha foi muito benvinda pois eliminou um “buraco” que era observado pelos pilotos de teste na YZ250. Porém, com a quarta ainda mais longa ficou um buraco razoável entre marchas, sendo aconselhável acelerar a motor de terceira até o máximo, antes de cambiar. A quinta, segundo os norte-americanos, ficou tão longa que seria utilizável apenas em provas como Bajas (longas retas e alta velocidade).

(5) Embreagem. A dureza da mola de embreagem foi reduzida em 10 porcento para propiciar uma maior facilidade de acionamento. A pressão é 20% menor na manete de embreagem pois também foi modificado o sistema de acionamento da embreagem. A campana de embreagem não foi modificada da YZ250 para a YZ250X, porém foi melhorado o sistema de lubrificação e as 5 placas de atrito são de um material diferente.

 (6) Suspensão. A X oferece a mesma Kayaba SSS da YZ250, que é considerada atualmente a melhor suspensão da categoria. Incluindo as mesmas molas na frente (4.3 N/m) e na traseira (48 N/m). A única coisa modificada é nas pirâmides de lâminas internas que foram acertadas “valvuladas” para ficarem mais macias e, portanto, mais adequadas ao uso em trilhas.

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 (7) Tanque de gasolina. A X tem a mesma capacidade de combustível que a YZ250, mas a X oferece uma torneira de reserva que separa 1,9 litros no tanque. É útil para não ser pego de surpresa quando a gasolina está chegando ao fim. Porém, assim como ocorreu com os modelos X de quatro tempos que mantiveram a mesma capacidade de combustível das irmãs de motocross, seria interessante se a X trouxesse um pouco de gás a mais.

(8) Roda traseira. Foi modificada para 18 polegadas e vem equipada com um pneu Dunlop Geomax AT81 offroad terrain que se propõe a oferecer à YZ250X melhor grip em rochas, raízes, barro e travessia de riachos.

(9) Ajuste de YPVS. O famoso Yamaha Power Valve System’s (YPVS) teve na X a sua mola de atuação e ajuste de pré carga alterados para abertura mais cedo.

(10) Acessórios. A X vem de série com corrente D.I.D. O-ring (lembrem-se que motos de cross não utilizam correntes com o’ring) e descanso lateral.

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Enfim, realmente, a YZ250X é uma moto muito bem trabalhada para que seja utilizada em trilhas, só faltou mesmo a partida elétrica…

A existência deste modelo denota que a Yamaha, se rendeu a uma tendência já descoberta pela KTM de uma especialização cada vez mais forte de seus modelos para o uso em diferentes aplicações do off-road, o conceito de Ready to Race dos austríacos que lhes rendeu uma liderança no off-road, tem na Yamaha a única competidora asiática.

Com sua linha de WR e YZX’s a Yamaha rivaliza com as XC’s e EXC’s da KTM e mostra que compensa investir no segmento off-road. A Honda possui apenas as suas CRFX’s já claramente de tecnologia defasada, Suzuki e Kawasaki, apenas possuem modelos de motocross.

Infelizmente, a Yamaha do Brasil só importa a WR-250F e a YZ250FX, mesmo assim a conta gotas. O acesso a uma destas YZ250X só seria possível com importação independente. Por curiosidade, nos EUA, o modelo 2016 da YZ250X tem preço sugerido de $7390 que é $100 mais caro que uma YZ250, $9 menos que uma KTM 250SX e $1100 menos que a KTM 250XC. Dá para perceber que a KTM dá uma inflacionada na XC exatamente pela falta de concorrência, o mercado americano agradece a vinda da trilheira da Yamaha.