Dakar 2017 vai ser de arrepiar

Todos os anos, a organização do Dakar anuncia que a prova será a mais difícil do que as versões anteriores. Alguns concordam, outros preferem acelerar e descobrir. Mas desta vez a coisa parece que é pra valer e, a considerar pelos detalhes apresentados nesta manha em Paris, a coisa vai ser mesmo de arrepiar.

Em seu nono ano na America do Sul, a organização descobriu novos terrenos na Bolivia e por lá deve permanecer durante mais dias, quatro ao total. A mistura de altitude, um pouco de frio e a longos trechos deverá deixar a prova com um gosto azedo e com um índice de desistência elevado.

A turnê deste ano foi apresentada hoje num evento em Paris e começará no dia 2/1/2017 em Assunção, uma nova edição, que acrescenta o Paraguai a lista dos países atravessados pelo rali ao longo de quase uma década, o Brasil ainda continua fora dos planos dos organizadores….

Depois de um breve período na Argentina, a caravana dakariana vai entrar na Bolívia, país que recebe pelo quarto ano consecutivo mas que neste ano terá muito peso na decisão da vencedores. \”O altiplano boliviano oferece coisas que até agora não tinham no rali. Eu acho que para vencer será necessário para se adaptar a diferentes condições\”, disse o diretor Desportivo do Dakar, o ex-piloto espanhol Marc Coma.

Etienne Lavigne, diretor do rali, disse que \”Os pilotos não podem contar com as referências do passado, será uma prova diferente que exigirá que estejam constantemente vigilantes\”.

O Dakar 2017 será um Dakar extremo, mudanças de temperatura brutais e estágios longos, muitos deles disputados acima dos 3.500 metros, onde nem os corpos dos pilotos nem os motores de suas máquinas terão oxigênio suficiente para atingir seu pleno desempenho. \”Vai ser muito difícil para os pilotos, mas pior para as para motocicletas”

Alem da altitude e condições meteorológicas extremas irá adicionar as novas condições esportivas. Os pilotos não terão a ajuda de GPS totalmente aberto, as informações irão aparecendo conforme o piloto for acertando a navegação, o que dará um destaque ainda maiora prova e exigirá pericia dos competidores. \”O objetivo é tornar a corrida mais imprevisível, limitando a navegação o aumento da gestão das etapas mais complexas e mais longas deverá ser o grande diferencial para os vencedores\”, prevê Marc Coma.

Depois de uma primeira curta, com apenas 39 quilômetros cronometrados, entre Assunção e Resistência, o rali irá cruzar o norte da Argentina na direção da Bolívia. Nesta região, a partir da segunda etapa, eles vão descobrir a região de Chaco, que Coma compara com o cerrado Africano, uma área completamente desconhecida pelos pilotos, com temperaturas superiores a 40 graus.

A partir da terceira etapa, a navegação começa a ganhar importância. Numa etapa que será realizada em grande parte, nos leitos de rios e onde os pilotos vão ter o primeiro contato com a altitude, a mais de 5.000 metros. Mas as coisas se complicam a partir do quarto dia, quando o primeiro tríptico extremamente difícil, jogou mais de 3.000 metros acima do nível do mar, com estágios e dunas muito.

No quinto dia, entre Tupiza e Oruro, pilotos terão cerca de 500 km competitivos em areias e grandes dificuldades. Será uma Bolívia diferente que, até agora, a organização não havia descoberto sendo que o foco principal ser o Salar Uyuni. No dia seguinte, o sexto, os pilotos terão a especial mais longa com 527 km entre Oruro e La Paz, parte dela ao lado de Lago Titicaca e que, segundo o diretor-desportivo \”muitos motoristas acabam à noite.\” …. \”E outros não irão acabar\”, acrescentou Lavigne, que amenizou dizendo que os sobreviventes terão um dia para descansar na capital boliviana.

Após um merecido descanso, no dia seguinte, os pilotos terão de 322 km competitivos entre areia até chegarem no Salar de Uyuni onde começa a etapa maratona, em que pilotos não terão assistência mecânica, e terão de cuidar de suas motos sozinhos. Será a primeira parte do estágio de \”maratona\”, que continuará no dia seguinte entre Uyuni e Salta, onde a prova retorna para a Argentina, e os pilotos dizem adeus ao altiplano, mas terão de enfrentar trechos difíceis até chegarem em Salta. Será um dia longo, com cerca de 1.000 quilômetros, 406 deles cronometrados, entre Salta e Chilecito, será a etapa mais longa do rali desde 2004, com 80% de \”off-road”.

A décima etapa, será realizada em leitos de secos de rios, e será marcada por trechos de trial extremos, em que os pilotos irão passar lentamente praticamente esgotados. Uma vez transpostos estes obstáculos eles seguem para a ultima etapa, mas antes devem enfrentar as temidas dunas de San Juan e serra Cordoba. E assim seguirem para o ultimo dia, onde os vencedores serão devidamente homenageados.

Apenas por este relato feito pela organização do Rally, já é possível sentir na pele que os pilotos não terão vida fácil ao longo desse período intenso.

Confira as cidade e as distancias a serem percorridas:

1/1 Cerimonia de Largada em Asunción        SSP     Total
2/1 Asunción – Resistencia                                39      454
3/1 Resistencia – San Miguel de Tucumán    275     803
4/1 S. Miguel Tucumán – S. Salvador Jujuy  364     780
5/1 San Salvador de Jujuy-Tupiza                   476      521
6/1 Tupiza-Oruro                                                447      521
7/1 Oruro-La Paz                                                 527      786
8/1 Descanso em La Paz
9/1 La Paz-Uyuni                                                 322     622
10/1 Uyuni-Salta                                                  492     892
11/1 Salta-Chilecito                                              406     977
12/1 Chilecito-San Juan                                      449     751
13/1 San Juan-Río Cuarto                                  288      754
14/1 Río Cuarto-Buenos Aires                             64      786

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