Conheça um pouco mais sobre a história da KTM 300

Vendo as estatísticas de vendas de motos no site da ABRACICLO, constatei que a KTM 300 (2 tempos) vem tendo um desempenho de vendas bem razoável (284 unidades vendidas em 2015 e 2016), superando a 250F (171 unidades) e ficando atrás da 350F (330 unidades). Mesmo sendo fã de motores 2 tempos, não esperava que as vendas fossem nesta proporção dado toda a atual preferência por motores 4 tempos.

Pesquisando a internet, encontrei farto material, especialmente em sites de publicações norte americanas como Dirt Rider, Motocross Action e etc. Trago aqui para vocês leitores do Motoraid um pouco sobre a história desta bela máquina, a KTM 300 2t.

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Embora a moto não possua tantos títulos assim em seu currículo e nem seja a primeira escolha de muitos pilotos profissionais da marca, é a moto mais bem sucedida em vendas da marca austríaca. Em seus 22 anos de história, ela ocupou o primeiro posto de vendas na grande maioria deles. E no maior mercado off-road do mundo, os EUA, ela mantém a 20 anos o posto de moto mais desejada e respeitada pelos pilotos amadores, conhecidos como “os heróis do final de semana”.

Enfim, a KTM 300, atualmente, é uma moto pensada e projetada para agradar o piloto regular, o esportista amador, por isso é tão querida e bem sucedida. Ela deve seu sucesso não a campanhas de marketing ou grandes conquistas em corridas e sim ao fato de ter caído no gosto dos pilotos comuns.

Mas vamos à história… A primeira 300 nasceu de uma filosofia que a KTM já utiliza com sucesso hoje em dia: “menos é mais”. Para quem não entendeu é a filosofia usada com sucesso na KTM SX 350F campeã mundial frente as 450F e mais anteriormente na KTM SX 380 2t que foi campeã mundial fazendo frente às 500cc. A idéia da 300 veio desta mesma filosofia.

No idos de 1986, a KTM buscava uma moto para andar na chamada Open Class do mundial de Enduro e ISDE e o regulamento estabelecia que poderia ser utilizada qualquer moto acima de 250cc. Naquela época, as 250cc 2t já eram mais rápidas nas pistas e trilhas que as 500cc 2t. Então, a KTM decidiu fazer uma 250cc para colocar na Open. Aumentando o máximo possível no diâmetro do pistão sem alterar o curso, a KTM chegou a um motor de 273cc. Nascia a KTM 300. Ao mesmo tempo, foi tentado o oposto, pegaram um motor de 500cc e reduziram o máximo possível, conseguindo chegar a 350cc (diminuíram o diâmetro do pistão).

KTM 300 1986
KTM 300 1986

Neste primeiro momento, a solução com 350cc se saiu melhor e a primeira 300 viveu pouco mais que um ano sendo retirada de linha em 1987 e a 350cc permaneceu. Mas o enorme motor que equipava a 350cc não tinha muito futuro pela frente, tinha pedal de kick do lado esquerdo e pinhão do lado direito. Mas o conceito foi provado nesta passagem, que a cilindrada ideal para o melhor desempenho de um motor dois tempos deveria se encontrar em algum lugar entre 250cc e 500cc.
O conceito de uma 250CC 2t “vitaminada” voltou a mesa dos engenheiros da KTM no início da década de 90. Desta vez eles colocaram um pouco mais de esforço no projeto. O motor da 250cc teve o diâmetro do pistão e seu curso de deslocamento alterados (72 x 73mm) e o motor 300cc atual nasceu na sua cilindrada vigente, 297cc. Além disto, foram retrabalhadas as posições das janelas, tempo de ignição e carburação. A moto foi oferecida em várias versões EXC (trilha/enduro), DMX (deserto), SX (motocross) e TMX (licenciável).

Estas primeiras 300’s sofreram muito com problemas de ignição. Com o fechamento da MOTOPLAT, a KTM teve que correr atrás de um novo fornecedor e contratou a SEM. De fato, a ignição funcionava bem nas 250cc, mas deixou a 300cc com fama de ser impossível de regular, a moto fica grossa e fina ao mesmo tempo. Lembro que meu mecânico dos tempos de São José dos Campos, o Marcelo, da Projeto Motos, apanhou muito dessa ignição das KTM’s “brancas”, mas ele em parceria com uma empresa do Sul desenvolveu uma ignição que substituía e consertava o problema das motos, o “jeitinho brasileiro” no seu sentido mais positivo. A partir de 1997, a KTM mudou o fornecedor para a Kokusan e todos estes problemas se resolveram.

KTM 300 1994
KTM 300 1994

O ano de 1998 foi um marco para a marca. Toda a linha de motos foi completamente modificada para incluir aquilo que seria a assinatura do design KTM: a suspensão PDS sem links. Embora, não tenha sido bem aceita no motocross, ela caiu no gosto do praticantes de trail. Com a introdução da embreagem hidráulica a partir de 1999 a KTM 300 se tornou um mito do off-road.

A KTM rapidamente constatou que a 300 estava se tornando “A Moto” e começou a investir mais tempo e dinheiro em desenvolvimento do motor, tanto que o modelo 2000 já veio com um novo cilindro que foi substancialmente melhorado. Em 2004, o motor teve novo upgrade e novamente teve o curso e diâmetro de pistão alterado. Desta vez, estranhamente, a 250cc e a 300cc, como feito em 1986, tinham o mesmo curso de pistão, apenas diferindo no diâmetro. Mas desta vez funcionou bem para as duas motos. A KTM 250cc virou a rainha dos testes de dinamômetro nos comparativos de dois tempos. A 300CC se tornou a versão mais suave e progressiva e com mais torque da mesma moto.

KTM EXC 300 2000
KTM EXC 300 2000

Em 2008, a moto recebeu a sonhada partida elétrica e também um novo cilindro (mais compacto que o anterior) e novo mapeamento de ignição. Apresentava um conjunto excepcional.

KTM XCW 300 2008
KTM XCW 300 2008

Em 2010, recebeu cores e roupa da Husaberg e hoje também se veste de Husqvarna, em uma versão com muitos acessórios de série.

Husqvarna TE 300
Husqvarna TE 300

Sem dúvida a KTM 300 é um ícone do fora de estrada, resultado de anos de desenvolvimento e deve ser muito respeitada. Além de ser a número um em vendas da KTM ao redor do mundo.