Blog da Moara: As mulheres no desafiador Rally Dakar

O melhor do Rally Dakar acontecer em janeiro é que nesse período estava de férias, e por isso foi possível ficar ligada 24 horas por dia nos tempos parciais, resultados, fotos e vídeos dessa prova tão fascinante.

Minha velocidade máxima nas férias!

Na edição de 2017, três mulheres competiram entre as 143 motos: a incrível Laia Sanz, da Espanha, que completou todas as suas sete participações e desta vez ficou em 16º lugar na geral das motos. A espanhola Rosa Romero em sua sexta participação ficou com o 80º lugar.

Anastasiya Nifontova, 75º lugar, estreante russa que correu com uma liberação especial da FIM pois foi pega no anti-doping durante o Rally do Marrocos no final de 2016. Além de uma mulher entre os 37 quadriciclos: Camelia Liparoti, da Itália, que ficou em 13º lugar.

A incrível Laia Sanz no Dakar 2017

Consigo entender esse número tão reduzido, pois, guardadas as devidas proporções, a situação no Dakar é parecida com o Sertões. O Dakar é a competição a motor mais difícil e perigosa do mundo, a logística dos apoios é bastante complicada e os custos para participação são altíssimos. Mas se os homens conseguem, nós também podemos! Por isso, ao longo da história sempre há uma mulher disposta a enfrentá-lo.

Já no primeiro Dakar, em 1979, foram sete inscritas e a melhor colocada foi Martine de Cortanze, com um 11º lugar. Como eu comecei a acompanhar mais o Dakar nos anos 1990, a mais famosa para mim é a alemã Andrea Mayer, com sete participações, e que ainda hoje disputa o Mundial de Baja nas motos e é casada com o super campeão Stéphane Peterhansel.

Alguns anos atrás assisti a uma palestra do Peterhansel onde Andrea o acompanhava. Minha emoção diante da facilidade em conversar com ela foi tanta que fiquei sem saber o que falar! Só ficava dizendo o quanto ela era um ícone do esporte para mim!

Várias mulheres correram no Dakar em 1983

Outra piloto famosa mas que já começou “veterana” é a sueca Annie Seel, pequena e muito forte, correu de moto, quadriciclo e atualmente disputa entre os UTV. Além de Jutta Kleinschimdt, alemã, vencedora na geral dos carros no Dakar de 2001, e que também corria de moto.

Andrea Mayer durante o Dakar de 2000

Mas o resultado que Laia Sanz (9º na geral das motos em 2015) ainda não conseguiu superar foi o da francesa Veronique Anquetil, que ficou em 4º lugar nas etapas 5 e 6 do Dakar de 1984!

Após o 5º lugar de Laia na etapa 8 do Dakar de 2015, eu estava torcendo para que ela melhorasse ainda mais, mas sei o quanto isso é difícil porque no Dakar não adianta você ser o melhor piloto na melhor equipe, tem que contar também com a sorte. Continuarei torcendo nos próximos anos.

Veronique Anquetil tem o melhor resultados em etapas desde 1984

Já tive muita vontade de correr o Dakar quando era na África. Atravessar o deserto, passando por países e tribos de culturas e idiomas completamente diferentes, sabendo que não há uma estrada de asfalto por perto, que tudo é difícil até para os apoios. Não que tenha ficado fácil na América do Sul! A variedade de terrenos e as dificuldades técnicas são muitas, além das distâncias gigantescas da maioria das etapas.

O Dakar continua monstruoso! Claro que se alguém me convidar, eu corro!

DICA! Pesquisando para escrever este artigo, achei um site que lista todas as mulheres que já correram o Dakar (motociclismofemenino.com/fr/mujeres-en-la-historia-del-dakar/).

(Moara Sacilotti é piloto Kawasaki, com apoio de Alpinestars, Bell, FAS Gráficos, Red Dragon)

Autor das imagens: Reprodução

Fonte Revista Motociclismo, MotorPress

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